quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

As Coisas como as Árvores ou O que é que interessa a idade?

As Coisas como as Árvores
ou
O que é que interessa a idade?

As Coisas como as Árvores dizem-se coisas tornadas diálogos. Caminhada mais de metade da década de 80, A JANGADA DE PEDRA do Saramago parte e confronta a hesitação a que obriga, assim o cão Constante à primeira fenda e, não por isso, antes Bernardo Soares, LIVRO DO DESASSOSSEGO, «A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes, o que vemos não é o que vemos, senão o que somos», e então, muito e muito antes, Homero e a ODISSEIA, como Camões e os LUSÍADAS, fado que cantas «Nem às Paredes me Confesso», Amália, não fado por Caetano, «Navegar é preciso, viver não é preciso». Zeca, «Traz Outro Amigo Também», «Amigo / Maior que o pensamento / Por essa estrada amigo vem / Não percas tempo que o vento / É meu amigo também» e «Venham Mais Cinco», «Não me obriguem a vir para a rua / Gritar / Que é já tempo d'embalar a trouxa / E zarpar» entranhado! Léo Ferré, «Avec le temps / Avec le temps / Avec le temps, va, tout s'en va...» O que é que interessa a idade? As Coisas como as Árvores. No Cavaquinho estamos em qualquer lugar, segredos vadios, portanto, não segredos, cantos tocados e levados, «Praça do Comércio», Júlio Pereira no rasgado. «Qualquer Coisa Pá Música», Jorge Palma, qualquer Coisa, qualquer Árvore, qualquer idade, qualquer coisa..., pá!

Ainda agora 2011 e COMISSÃO DAS LÁGRIMAS, António Lobo Antunes, António de ler 326 páginas, António de ler tanto, António de escrever tanto, muito mais que 326, tudo! tudo! a entranhar-se como febre ciclónica, portanto, um ciclone cá dentro, não um turbilhão aparente, ciclone aparente, doentia aparência.

As Mãos e a HASSELBLAD e diálogos com as Coisas, com as Árvores e a idade das Coisas, e idade das Árvores e a perguntar: que idade tens? Que idade têm as Mãos? Que idade tens, HASSELBLAD?

Tudo jangadas, tudo cantos, 10 (dez) Cantos nos LUSÍADAS, assim como 20 fotografias, portanto, 10 dípticos, não de viagens, odisseia em turbilhão, antes febre ciclónica, cá dentro um ciclone aparente, agora Árvores, Coisas, as Árvores para as Coisas, Mãos, as Mãos e a HASSELBLAD, a HASSELBLAD e as Mãos e as Coisas e as Árvores e todos! E tudo! Afinal, não Fernando Pessoa, Bernardo Soares, «Viajar? Para viajar basta existir. Vou de dia para dia, como de estação para estação, no comboio do meu corpo, ou do meu destino, debruçado sobre as ruas e as praças, sobre os gestos e os rostos, sempre iguais e sempre diferentes, como, afinal, as paisagens são.», Livro do Desassossego.

Lisboa

Quarta-feira, 20 de dezembro 2017

























1 comentário:

  1. Qualquer olhar é (trans)figuração das coisas e idealização do seu tempo (=idade). Mas nem todo o olhar (des)vela a essência (=alma) da realidade. É, no entanto, o que este díptico texto/imagens propõe: (re)(des)cobre-me um espaço/tempo (des)contruído que (des)conhecia e que, contudo, faz parte do meu quotidiano. Extasiado (=fora de mim), encontrei-me a pensar: mas é aqui que vivo (=sou) parte dos meus dias... só que eu não (ainda) não (o) sabia! E nesta epifania, só me resta agradecer ao artista (=que trabalha a arte) que (re)conheço há meio século! J

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